à(s)
22:59
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O G. era um barmen de Camden Town. Camden Town é uma das zonas mais apaixonantes de Londres, por ser uma verdadeira cornocópia da condição humana. É algo que eu não vos consigo explicar, mas é algo que todos os que conhecem aquela parte da cidade reconhecem. Camden Town é o local da cidade de todas as amoralidades. É o sítio da noite por excelência.
O G. não era só um barmen era também um vendedor de ervas aromáticas muito especiais. Em camden isso não era nada fora do habitual, lembro-me que muitas vezes fazia a pé um pequeno trajecto entre duas estações de metro e me ofereciam Canabis três vezes. O G. foi expulso da Suiça aos doze anos por roubar um supermercado, arrastando com ele a família de regresso a Portugal. O G. vivia em Inglaterra porque como ele costumava dizer "Em Portugal o cerco [policial] se estava a apertar". Em suma o G. era um tipo com Curriculum Vitae.
O G. foi um dos meus melhores amigos em Londres. Isso não se discute. O G. era uma pessoa violenta (qualquer criminoso é violento) e perigosa, mas ao mesmo tempo G. tinha uma fragilidade enorme e muito própria que só as pessoas mais próximas conheciam. O G. para mim era uma espécie de filho adoptivo, é engraçado que um dia depois de uma conversa mais conturbada ele me perguntou se eu não gostava de ter filhos.
à(s)
13:07
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- Tenho os dedos frios ...
- experimenta brincar com as páginas amarelas que eles aquecem
(Só uma lolada? Não surge assim um "o quê?!" nem um sermãozito ...)
à(s)
21:39
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